![]() |
|
Quarta-feira, Dezembro 28, 2011
“A NOITE FELIZ DOS BAMBAS” Pleno domingo 25 de dezembro, Natal, o Lote foi agraciado com um presentaço. Veio na matéria de capa do Segundo Caderno de O Globo, primeiro e único ( Noite silenciosa), a propósito de canções brasileiras de Natal, referência elogiosa ao nosso trabalho. Nela, o emérito e inquestionável jornalista e crítico João Máximo consignava: “Há duas ilustres exceções de CDs que tentaram dar vida ao Natal musical do Brasil. O primeiro deles, de 1999, é o melhor: “Um Natal de samba”. Sambistas do primeiro time, como Nei Lopes & Wilson Moreira (“Vou sussurrar aos ouvidos de Deus estes versos meus..."), Zeca Pagodinho, João Nogueira, Dona Ivone Lara & Délcio Carvalho, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz & Sombrinha conseguiram provar que Natal também dá samba. Mas quem se lembra?” Acrescentamos que a ideia veio de muito antes, no LP (“Pagode de Natal - A Noite Feliz dos Bambas”) cuja capa encima estas notas e no qual já constava o samba por ele citado. Chama-se “Canção da Esperança” o samba; de autoria de Wilson Moreira & Nei Lopes, embora, no lp (em que cada faixa representava uma escola de samba) tenha sido, por vontade nossa, creditado apenas ao querido “Alicate”, bamba da Portela. E a íntegra da letra é a seguinte: CANÇÃO DA ESPERANÇA Wilson Moreira – Nei Lopes (Ed. Mus. Tapajós) Esta canção Vai ecoar pelos céus e chegar Lá bem além do horizonte sem fim Aos pés do Eterno e Grande Arquiteto do Nosso Universo. Um rouxinol E um coro de querubins a cantar Vão sussurrar aos ouvidos de Deus Estes pálidos versos meus. Vão sussurrar aos ouvidos de Deus Estes pálidos versos meus. II Deus, faz este mundo encontrar a paz! Desiguais torna iguais Num grande aperto de mão, num só coração Num sorriso inocente de criança, Numa canção de esperança A ecoar como esta canção. ** JOÃO MÁXIMO SABE DAS COISAS! Sexta-feira, Dezembro 23, 2011
UM NATAL DE SAMBA (por Cláudio Jorge) Paulinho Albuquerque produziu para a Velas em 1999 o disco Um Natal de Samba. São sambas compostos por Wilson Moreira e Nei Lopes, Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro, Luisinho SP, Almir Gunieto, Zé Luiz, Dunga e Toninho Nascimento, Roque Ferreira, Barberinho, Marquinhos Diniz e Luiz Grande, Arlindo Cruz e Sombrinha, Mauro Diniz, Cláudio Jorge, Luiz Carlos da Vila, Dona Ivone Lara e Décio Carvalho. Algumas faixas interpretadas pelos próprios autores, outras por Zeca Pagodinho, João Nogueira, Emílio Santiago e Toque de Prima. É um disco maravilhoso e a minha dica é a faixa de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, É Natal. Obra prima, tanto o samba quanto o disco produzido pelo Paulinho. Participam da gravação Carlinhos Sete Cordas, Dininho e Jorge Hélder (baixo), Wanderson Martins (arranjo e cavaquinho) Itamar Assiere (piano e teclados), Jorge Gomes (bateria) Ovídio Brito, Marcelinho Moreira e Gordinho (percussões), Cláudio Jorge (violão), Eduardo Neves (sopros) Ary Bispo, Eveline Hecker, Jurema de Candia e Toque de Prima (coro). ** É IMPERDÍVEL !!! OUÇAM NO "BLOG DO COMENDADOR" ** O VELHOTE DESEJA FELIZ NATAL E UM ÓTIMO 2012! Segunda-feira, Dezembro 19, 2011
AS MINAS DO REI JOÃO XXX Em 1975, depois de um exaustivo e angustiante processo, o autor destas linhas conseguia ingressar na Ala de Compositores dos Acadêmicos do Salgueiro, escola do peito, na qual estreara no inesquecível carnaval de 63. Embora já profissional da música, não havia meio de ser aceito. E o caso, depois soubemos, era exatamente “profissional”, pois a Ala era dependente de uma das editoras filiadas a uma determinada sociedade autoral, que não era a nossa. Mas o apadrinhamento e a interferência do saudoso parceiro João Laurindo, cobra criada no samba e nas mumunhas autorais, acabou abrindo (um pouquinho só) daquele céu alvirrubro, onde muitos eram os chamados e poucos os excluídos. E eis que chegam os preparativos para o carnaval; e eis que adentra a reunião dos compositores, enfatuado, com aquele seu sorriso de vencedor, sobraçando um monte de livros (no qual sobressaía o best-seller o “Eram os Deuses Astronautas”?), o carnavalesco Joãozinho – ainda com “z”. Cada um dos presentes à reunião recebeu um texto mimeografado, que era este aqui, ó: “Senhores compositores do Salgueiro: com este enredo entrego uma grande missão. Na inspiração de suas letras e melodias os senhores irão escrever uma nova página na História do Brasil. A mais importante. Com a beleza de suas músicas ficará provado que os primeiros descobridores do Brasil foram os Fenícios. Todos ficarão sabendo que as lendárias terras de Ofir eram as terras brasileiras onde estavam as Minas do Rei Salomão. Sempre as composições eram escritas sobre histórias conhecidas. Agora são os senhores mesmos que irão escrever esta página que está faltando na História do Brasil, fazendo o povo vibrar através da alegria e beleza de seus sambas-enredo. Desejo a todos muita inspiração – a) João Jorge Trinta”. ** Vinte sambas foram apresentados. E Joãozinho, auxiliado – segundo se dizia – por uma talentosa assessoria musical, fundia dois sambas concorrentes, criava algumas frases novas e obtinha o resultado desejado, da mesma forma que no ano anterior já fizera um “copidesque” do samba que foi pra avenida, como mostrado em nosso livro “O Samba na realidade...” (Rio, Ed. Codecri, 1981), infelizmente esgotado. O caso é que o samba, mesmo biônico, ficou ótimo; e a escola ganhou o carnaval. Como ficou ótima, também, em termos visuais, a fusão de várias pequenas alas para formar grupos maiores e mais compactos, as tais “alas reunidas”. Entretanto, essas inovações e outras que vieram depois, adotadas em todas as escolas, foram minando as estruturas sobre as quais se assentavam as agremiações até então. Antes, as alas de compositores eram organismos autônomos – a nossa tinha até estatuto registrado em cartório; era uma pessoa jurídica!!! –; e daí em diante passaram a ser meros “departamentos musicais”, dentro das mega-estruturas que se foram criando, enquanto que, no sentido inverso, as alas de “componentes”, agigantadas, passaram a constituir pequenas empresas. ** Joãozinho Trinta (com “z” ou com “s”) merece todos os louvores póstumos que lhe estão sendo prestados neste momento. Foi realmente um Artista brilhante! Mas os efeitos de sua atuação na transformação do desfile das escolas em super-espetáculo, que pesaram forte na Arte do Samba e no espírito comunitário e associativo outrora existente, também não podem ser esquecidos neste momento. Que seu espírito inquieto agora descanse em Paz! Terça-feira, Dezembro 13, 2011
Domingo, Dezembro 11, 2011
O "BLOG DO COMENDADOR" É ÓTIMO. Até Dona Ivone Lara está lá! Nosso saudoso Paulinho Albuquerque nos deixou uma tremenda saudade. Assim, seus amigos e "viúvas", à frente nosso cartunista e humorista Reinaldo Figueiredo, o "Reinaldo da Casseta", criaram e mantém um blog dedicado à memória do grande produtor e guerrilheiro da cultura brasileira. Neste sábado, 10, entraram no ar algumas novidades, assim comunicadas pelo Reinaldo: As últimas do blog do Comendador Albuquerque - Bruno Veiga lembra mais um papo impagável. - Num e-mail dos anais: o Comendador, os "evangélicos" e a cultura afro. - O som de Nei Lopes, Alcione e Dona Ivone Lara... http://comendadoralbuquerque.wordpress.com/ Vale a pena dar uma olhada. Quinta-feira, Dezembro 01, 2011
Portinari O 2 DE DEZEMBRO E O MICRÓBIO DO SAMBA Micróbio é bactéria, protozoário, fungo patogênico. Então, é preciso ter cuidado. Pode tirar a graça, o sincopado, o miudinho, o bolebole das cadeiras. E ficar só aquele bumbo chato, batendo lá na frente. Dito isso, vamos ao que interessa: Qualquer discussão sobre samba tem que começar com a separação da forma tradicional (que é transmitida oralmente através dos tempos, sendo quando muito, objeto apenas de registros de pesquisadores) e essa produzida em escala industrial e difundida pelos meios de comunicação de massa. Até os primeiros anos da década de 1960 – quando a bossa-nova ainda era chamada pelos pesquisadores de “samba moderno”, e a sigla MPB ainda não tinha sido inventada -- o chamado “samba de morro” (hoje, “samba de raiz”) ainda configurava uma “cultura”, ou seja, comportava um conjunto de traços distintivos, herdados da tradição. O sambista tinha vestuário, fala, gestual, comportamento, hábitos etc. bem característicos. E o samba era expressão artística no sentido mais amplo, envolvendo criação e performance, inclusive coreográfica. Tudo isso foi se enfraquecendo na medida que os núcleos e redutos do samba se modificavam, com o distanciamento das escolas de suas comunidades, com o primado do espetáculo em detrimento do espírito associativo. E aí até a dança foi esquecida. O pessoal das velhas-guardas, num saudosismo melancólico, ainda tenta organizar almoços, passeios, visitas, como nos outros tempos. Mas, na sociedade atual, nada se faz senão visando o retorno financeiro. Então... Sobre a exclusão do samba do universo definido pela sigla MPB, achamos que é resultado de uma estratégia de mercado que infelizmente deu certo. Por quê um samba cantado por um artista alinhado ao pop internacional vira “MPB”? Por quê um samba feito por um compositor negro e pobre é recebido de maneira diferente daquela que é recebido o de um compositor pertencente a uma família patriarcal ou burguesa ? Por quê o repertório da bossa-nova (“Só danço samba”; “Samba do avião”; “Samba de uma nota só”, etc) não é efetivamente reconhecido como samba? Na minha visão, tudo isso é principalmente fruto do incômodo que o protagonismo negro ainda causa. E ocorre para que o samba, enquanto cultura, fique restrito à Bahia. E, no Rio, seja apenas uma música carnavalesca, de difusão restrita ao mês de fevereiro e à “avenida” Marquês de Sapucaí. Ou uma música de botequim. Ou, ainda, uma forma diluída, vazia, cada vez mais próxima do pior pop internacional. ** Dito isto, ergamos um brinde (consciente) pelo “Dia Nacional do Samba”. |
|
|
|