O engraçado é que a gente fica velho, se aposenta, "não tem mas paciência pra essas coisas", e aí vêm os netos e (bem mais cedo) começam tudo de novo...
Explode, coração! É a roda da vida voltando a 1963.
Nosso velho amigo Romeu Evaristo, outrora apenas conhecido como o Saci do Sítio do Picapau Amarelo; e, agora, visto na TV como o “angolano” 171 do humorístico Zorra Total (foto) é muito mais do que isso.
É poeta de sensibilidade. Com quem dividimos muito de nossas angústias em torno do racismo e a exclusão que tanto nos machuca.
E, agora, de repente o Romeu, numa perna só, manda lá de Santiago, o poema abaixo. Dedicado ao Velhote seu amigo.
Leiam e digam se não é bonito.
Pena que continuamos sem acesso ao Lote, para os comentários.
Se não, iriamos dizer que, em matéria de chinelos (poemas e vinhos), nós somos mais o Angolano.
Azeitona Preta no Prato em Santiago
(Romeu Evaristo)
Tempo santo que venta em Santiago.
Com as Cordilheiras
Que ficam a folhear com os flocos , gelo dos Andes.
Calor do Sol para inundar o verde sonhar de Neruda.
Pensando Nei, olhei e vi você .
Fiquei no tempo,
Pois ficar no tempo é pensar
Na sua análise morfológica das palavras.
Pacífico-Oceano. Longe e no limite do gelo.
Coração quente, pensamento, Nei.
Negro abastece o sonho e a semente
Na renascença lógica do vento.
Para abastecer cada poesia
Que Santiago ultrapassa nos limites da rua.
Esse sonho me traz uma teia
Que diversifica um pouco da luminosidade do Sol.
Cor de semente africana.
Topo do pensamento latino, atlântico,
Chegando ao Indico pelo Medterrâneo.
Lógico que cheguei ao Atlântico.
Vejo que cada dia que passa
As velas negras se banham
No azul do céu e no azul do mar.
Sem capital, mas continente
Que me sopra os ventos do Gabão.
Aí sim acordei.
Era Santiago, Nei Lopes,
E vi fazer e vi ficar
Que no prato em que os camarões boiavam
Existia uma azeitona preta.
Cantora carioca que debutou no mercado fonográfico em 2006 com o (excelente) álbum Uma Dama Também Quer se Divertir, Mariana Baltar vai lançar seu segundo disco após o Carnaval de 2010, pela gravadora Biscoito Fino. Sonâmbulo (Edu Kneip e Thiago Amud), Tia Eulália na Xiba (Nei Lopes e Cláudio Jorge) e Uva de Caminhão (Assis Valente) estão no repertório deste segundo CD de Baltar. Certas no álbum também estão Jongo do Irmão Café (parceria de Nei Lopes e Wilson Moreira) e Teco Teco (um sucesso de Ademilde Fonseca, regravado por Gal Costa em compacto de 1975). Contudo, nos shows em que dava uma prévia (de parte) do repertório do disco, Baltar cantava Pipa (Raphael Gemal) e Pra Você Gostar de mim (o samba de Joyce e Zé Renato).
O CARNAVAL E SEU IMPACTO
(Vale a pena ler de novo)*
Sinceramente, o que eu curto mesmo no carnaval, de montão, é o impacto que ele causa na economia. Vejam se eu não tenho razão!
O carnaval – e quem diz é o superintendente do SEBRAE, Dr. Sérgio Malta – movimenta mais de 1 bilhão e meio de reais, gera 100 mil postos de trabalho e traz pra cidade, naquela do entra e sai, uns 670 mil turistas. E, durante quase todo o ano, a festa gera 60 mil empregos permanentes e beneficia o comércio, a industria e o turismo, desde o setor editorial e gráfico até o da música, chegando inclusive ao fabrico de instrumentos musicais. É demais, não é?
Agora, vêm esses caras dizerem que antigamente é que era legal; que tinha ranchos, sociedades, blocos de sujo, frevos; que tinha carnaval na Rio Branco e em todas as outras avenidas; que em todo bairro o povão se divertia de graça em volta dos coretos; que, desses coretos, os mais bonitos e bem concebidos eram premiados; que os bondes eram verdadeiros salões ambulantes de folia, cortando a cidade; que as marchinhas eram às vezes belíssimas, e em geral muito espirituosas; que os sambas eram ao mesmo tempo melodiosos e animados; que os sambas-enredo das escolas eram quase sempre obras- primas; que, nessas escolas, cada mestre-sala e cada passista tinha um estilo próprio de dançar; que, nas ruas e nos salões, havia uma variedade enorme de fantasias, desde as industrializadas até as improvisadas, de ultima hora; que tinha máscaras de diabinho, morcego, vovô e clóvis de tudo quanto era jeito; que as pessoas atiravam confetes e serpentinas umas nas outras, carinhosamente; que lança-perfume era para espargir nas moças, sinalizando a paquera.
Bah! Saudosismo bobo! O importante é o impacto que o carnaval causa na economia da cidade! Não é mesmo?
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(*) Texto originalmente publicado em janeiro de 2008.